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Caminho Pessanha

Há dias em que existir dói,  mas ande por aí até que os seus pés não sejam mais capazes de suportar o teu corpo esfalfado. — Quem sabe um dia, companheiro, — te responderei.  —   n a estrada, ainda que sozinho, encontre o teu caminho.

Sem folhas nem ramos, mas bela

Até a paisagem muda… Que direi eu?  Por exemplo, aquela árvore no meio do parque, fincada numa fina camada de área gramada, de tronco e galhos finos, mudou.  As folhas caíram, os galhos agora existem sozinhos, tão finos e pontiagudos quanto podem ser.  A introspecção de alguém que de quando em quando permite o olhar morar  Em cada extensão desse lugar.  Se uma árvore e seus galhos conseguem ser belos sem sua folhagem  Serei assim também eu. Até a paisagem muda… Que direi eu?  Esses risos ecoados pelo parque, da juventude abundante nos rapazes,  A bola estão a chutar, para lá e para lá  Cá somente o olhar da virtude de enxergar  O mundo presente na simplicidade.  A paisagem muda… Que direi eu?  Daqui do ordinário, evocadas do meu imaginário Surgiram algumas expressões oriundas  Do meu sensível espírito.

O ritmo das ondas em harmonia com as batidas do meu coração

  E a cada movimento dessas ondas, junto do ritmo do meu coração A cada vai e vem das águas desse agigantado azul imenso do mar Repetir-me-ei, para que o meu coração, a minha alma e a minha mente  Também sejam inundados de coisas boas:   Não sucumbirei, não me deixarei perder Não me deixarei ir, não me entregarei Lutarei, com cada músculo, ainda que fraco Com cada crença, cada minúscula esperança Vou lutar   Se, quando a maré baixar, a correnteza me arrastar Eu, ao menos, lutei e, às vezes, o vencer não está somente na vitória Está também na luta E, algumas lutas se consagram como plenas vitórias

Entre Letras e suspiros

  Que paz… deitar no colchão no quarto ligeiramente escuro, beber um chá quente numa xícara bonita…  Apreciando o sabor amargo, suspirando, rindo de um trecho da obra do Eça de Queiroz — ah, como gosto de autores portugueses… sou besta pelo romantismo; Eça não é do romantismo, diz a minha voz na cabeça, uma voz letróloga; eu sei, respondo a mim mesma… foi só um comentário — respirando fundo, soltando o ar, tranquila, fecho os olhos, em paz…